Este blog é direcionado para os alunos da Escola Municipal Genildo Miranda no Sítio Lajedo em Mossoró-RN, para os alunos da Escola Estadual Rui Barbosa no município de Tibau-RN, para todos aqueles amantes da Educação Geográfica e também para os que se propõem a discussão de uma Educação contextualizada.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Caatinga pode virar patrimônio

Segundo pesquisador, a ação humana já modificou 45% da Caatinga
FOTO: MELQUÍADES JÚNIOR
O pesquisador e chefe-geral da Embrapa Semiárido, Natoniel Franklin de Melo, defendeu, ontem, a aprovação, pelo Congresso Nacional, da proposta que torna a Caatinga um patrimônio nacional.

Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, ele afirmou que torce para que o bioma entre na lista de patrimônios. "Nosso objetivo é propor junto à sociedade e com o parlamento, soluções e alternativas sustentáveis para nosso bioma", disse.

Em comemoração ao Dia Nacional da Caatinga, representantes do Ministério do Meio Ambiente, parlamentares e organizações não governamentais (ONGs) participaram, na manhã de ontem, de uma audiência pública na Câmara dos Deputados para debater a proposta de emenda à Constituição (PEC) que transforma a Caatinga e o Cerrado em patrimônios nacionais.

Segundo o pesquisador da Embrapa, 45% da área de Caatinga já foram alteradas pela ação humana. Para reverter esse quadro, ele vem fazendo um trabalho com jovens em escolas rurais, mostrando a importância da preservação ambiental. "Nosso bioma é riquíssimo na flora e na fauna e precisa ser preservado para gerações futuras", afirmou.

Para Melo, a degradação ambiental é consequência do uso insustentável de solos e recursos naturais nos últimos anos. Ele acredita, entretanto, que a consciência da população em relação à importância da Caatinga tem aumentado.

A Comissão de Meio Ambiente da Câmara trabalha para colocar o projeto da Caatinga em votação no início de junho, durante a Semana Nacional do Meio Ambiente.

Fonte: Diário do Nordeste.

domingo, 24 de abril de 2011

Planos setoriais implementam ações relacionadas ao clima

A estimativa é que até dezembro estejam concluídos os outros sete planos setoriais previstos no decreto de regulamentação da Política do Clima

O Brasil começa a colher os resultados das operações realizadas para o combate ao desmatamento na Amazônia - o que significa a redução das emissões de gases de efeito estufa e, consequentemente, o cumprimento das determinações da Política Nacional de Mudanças Climáticas (Lei 12.187). Além do controle de danos ambientais na Amazônia, a legislação prevê planos para 11 setores que se relacionam à infraestrutura do País.
O Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia Legal (PPCDAm) iniciou em 2004, mas ganhou ênfase quando a Política Nacional de Mudanças Climáticas foi publicada em 2009. "Agora temos mais força nas ações", observa o coordenador do plano, Mauro Pires, do MMA.
Ter mais força, segundo ele, significa, por exemplo, que "como lei, agora a meta de redução dos desmatamentos não é só compromisso do governo federal". Assim, o MMA está trabalhando para o que os estados assumam suas responsabilidades e implementem os próprios PPCDAms. Pará, Mato Grosso, Tocantins, Rondônia, Amazonas, Amapá e Acre já finalizaram seus textos.
Os resultados das operações de combate ao desmatamento se veem na prática. Embora o País ainda não tenha alcançado as suas metas, já tem motivos para comemorar resultados positivos. Neste mês de abril, por exemplo, Querência (MT) deixou a lista dos 43 municípios do Arco do Desmatamento, depois de conseguir realizar o Cadastro Ambiental Rural em pelo menos 80% de seu território. Paragominas (PA) foi o primeiro a sair da lista, no ano passado.
Em Querência, isso significou que a média de desmatamentos caiu 60% nos últimos dois anos, em relação à média de 2005 a 2008. Fazer parte do Arco do Desmatamento, significa que os produtores estão em situação irregular em relação a questões ambientais, e isso se reflete em restrições ao crédito e em imagem comercial denegrida.
Perspectivas - "Partimos agora para sete novos planos setoriais. Aprendemos muito com os cinco primeiros, e a metodologia adquirida servirá para a conclusão de todos até dezembro", afirmou, nessa segunda-feira (18/4), o secretário nacional de Mudanças Climáticas, Eduardo Assad, na reunião do grupo executivo (GEX) coordenado pelo MMA e integrado por mais seis ministérios e pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.
A experiência obtida na formulação dos planos setoriais servirão para a revisão do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, que deve ser revisto a cada dois anos. Já estão prontos os planos de ação para a prevenção de desmatamento da Amazônia e também para a prevenção do desmatamento e das queimadas no Cerrado, além do plano decenal de expansão de energia.
Estão em fase de finalização o plano para a consolidação de uma economia de baixa emissão de carbono na agricultura, e o plano para redução de emissões na siderurgia. Por determinação do Decreto 7390, de 2010, todos os planos setoriais devem estar prontos até 15 de dezembro deste ano.
O secretário Assad anunciou que começam agora as definições necessárias para das início dos planos setoriais que se referem ao transporte (cargas e passageiros), indústria (transformação e bens de consumo duráveis), indústria química, mineração, construção civil, serviços de saúde e indústria de papel e celulose.
"A reunião do GEX definiu como serão os trabalhos neste ano e como se dará o andamento da revisão do Plano Nacional de Mudanças Climáticas", observa Karen Silverwood-Cope, gerente de Projetos, da Coordenação de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade, do MMA.
Karen Silverwood-Cope informa que dois temas relevantes devem entrar na pauta de discussões do grupo executivo: aquicultura e pesca e também orientações para o País sobre a política de governo para adaptação às mudanças climáticas.
Grupo Executivo - Na última reunião do GEX, o Ministério da Pesca e da Fazenda mandaram representantes, para explicitar a disposição de integrar o grupo.
Os ministérios que atualmente o integram são MMA, Casa Civil, Agricultura, Ciência e Tecnologia, Relações Exteriores, Minas e Energia, do Desenvolvimento Agrário, Desenvolvimento, Indústria e Comércio e o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.

Fonte: Por Cristina Ávila (Ministério do Meio Ambiente).

Um mês de Geografia e Conhecimento

Há exatamente 1(um) mês lançavamos o Blog Geografia e Conhecimento, fruto de um esforço para levar aos nossos leitores informações, dentro de uma perspectiva do olhar da geografia  e da educação. Durante esse mês tratamos de vários assuntos que versaram desde curiosidades, notícias, textos científicos e até vestibular. Podemos perceber que em pouco tempo a temática tratada chamou a atenção dos leitores, pois durante esse período, conseguimos cerca de 800(oitocentos) acessos dos mais variados locais como: Brasil, Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Cingapura. Gostaria de agradecer a todos aqueles que passaram por nossa página, e, que dela puderam se inteirar um pouco mais sobre a infinidade de conhecimentos que a Ciência Geográfica pode nos garantir.

Um grande abraço a todos!

Prof. Mauro Marciel (Editor e Organizador).

Vestibulando!

(UEPB)
 

Saudosa maloca
Se o senhor não tá lembrado, dá licença de contar
Ali onde agora está este adifício arto
Era uma casa véia, um palacete assobradado
Foi aqui seu moço que eu, Mato Grosso e o Joca
Construimo nossa maloca
Mais um dia, nóis nem pode se alembrá
Veio os home com as ferramenta e o dono mandô derrubá
Peguemos todas nossas coisas e fumos pro meio da rua
Apreciá a demolição
Que tristeza que nóis sentia, cada tábua que caía
Doía no coração
Matogrosso quis gritar, mas por cima eu falei
Os home ta co’a razão, nóis arranja outro lugar
Só se conformemo quando o Joca falou
Deus dá o frio conforme o cobertor
E hojé nóis pega as paia nas grama do jardim
E pra esquecer nóis cantemos assim:
Saudosa maloca, maloca querida
Dim dim donde nóis passemo dias feliz da nossa vida.
Fonte: CD Reviver Adoniran Barbosa. Som Livre, 2002.
A letra da música de Adoniran Barbosa nos faz refletir, corretamente, que:

I - A segregação residencial no espaço urbano, é conseqüência de um espaço/mercadoria cujos valores de uso e de troca definem as formas de apropriação e de luta pelo direito de morar na cidade.
II - Terras vazias à espera de valorização pela especulação imobiliária são uma das causas de a população de baixa renda não ter acesso à moradia digna.
III - Os favelados resistem a quaisquer tentativas de melhoria habitacional e impedem a implantação de equipamentos urbanos adequados e eficazes que melhorem sua qualidade de vida.
IV - A reforma urbana é um bem necessário, já que poucos têm acesso à infra-estrutura e aos serviços públicos urbanos.

Estão corretas:

a) Apenas as proposições I e II
b) Apenas as proposições I, II e IV
c) Apenas as proposições I e III
d) Apenas as proposições II e III
e) Todas as proposições




(FURG) Nas grandes cidades brasileiras, a falta de moradia e o aumento do desemprego estão
diretamente relacionados à existência de que tipos de habitação?

a) Favelas e condomínios.
b) Favelas e cortiços.
c) Mansões e vilas.
d) Vilas e bairros.
e) Lugarejos e condomínios.




A respostas referentes as questões do dia 19/04/11 são respectivamente: E e B.

sábado, 23 de abril de 2011

Vacina e saneamento

Revelam-se alarmantes os dados em relação ao aumento ocorrido no número de casos de dengue no Brasil: a incidência de disseminação do vírus triplicou no ano passado, em relação a 2009, continuando sua escala ascendente nos primeiros meses do ano em curso. No Ceará, constata-se a maior proporção nacional no aumento da doença, inclusive com registros letais por dengue hemorrágica. Inexistem culpas exclusivas para tão assustadora e inestancável propagação. Ela parte tanto do poder público, por carências notórias nas áreas do saneamento e da saúde, mas também decorre de maus hábitos da população, que insiste em amontoar lixo e água suja em locais públicos e, principalmente, dentro de suas próprias residências. Ressalte-se, como agravante, a alta capacidade de adaptação e sobrevivência do "Aedes aegypti", cada vez se apresentando mais resistente, sob quatro formas diversas.

As redes hospitalares do serviço público, segundo aferição realizada pelo próprio Ministério da Saúde, não estão capacitadas para atender às manifestações mais graves da doença, geralmente diagnosticadas erradamente ou tratadas de maneira inadequada. A demora quanto ao diagnóstico representa outro empecilho, pois o exame mais usado pela rede pública só detecta se o paciente contraiu o vírus uma semana depois de ele apresentar os primeiros sintomas. A confirmação do diagnóstico é um dado de extrema importância, pois os sintomas causados pela contaminação são bastante semelhantes aos de outras doenças.

Outra grave constatação é a de que a maioria dos focos do "Aedes aegypti" se encontra dentro das residências. Inúmeras casas e apartamentos não são visitados porque estão literalmente abandonados, ou porque seus residentes passam o dia todo no trabalho. Mas o caso mais constrangedor ocorre quando o morador não permite a entrada do agente de saúde, alegando temores quanto à onda de insegurança que assola Fortaleza e as próprias cidades interioranas. O descaso em relação aos parques e logradouros públicos é outro óbvio cúmplice da ascendente proliferação de criadouros de larvas do mosquito contaminador. Nesse caso, a população também deve ser orientada para denunciar através da mídia, ou aos órgãos competentes, as áreas de risco a serem atacadas.

Pesquisas sobre uma vacina tetravalente, destinada a imunizar contra os quatro tipos de vírus da dengue, são desenvolvidas no Ceará, mas ainda se ressentem da falta de imprescindíveis recursos financeiros. Enquanto a vacina não chega, a adoção de medidas para controlar e extirpar os focos mais evidentes do mosquito deve partir de uma ação conjunta, a unir tanto os órgãos de saúde quanto todos os segmentos da população. Como se prevê que uma vacina realmente eficaz contra a dengue só terá viabilidade de ser usada dentro de, no mínimo, quatro ou cinco anos, até lá são necessárias ações de grande impacto, sobretudo no campo do saneamento básico, para a disseminação do vírus não vir a assumir aspectos tão devastadores, no Brasil, quanto foram os de outras epidemias e pandemias registradas muito antes de a medicina atingir seu atual patamar de evolução.


Fonte: Texto publicado na Coluna Opinião do Jornal Diário do Nordeste em 23/04/11.

Piscicultura gera emprego em Quixelô

 
Projeto de criação de tilápias em tanques-redes, na bacia do Açude Orós, no Sítio Boa Vista do Jiqui, em Quixelô
 Aatividade pesqueira está em plena expansão, garantindo emprego e ampliando a renda do sertanejo do Ceará
Quixelô Depois de experiências exitosas de criação de tilápia em tanques-redes em Orós, Várzea Alegre e Lavras da Mangabeira, chegou a vez deste Município, localizado na região Centro-Sul, colher os frutos de três projetos de piscicultura que foram implantados em 2010. A atividade está em expansão, gera emprego no sertão e amplia a renda familiar do sertanejo.

Os projetos foram implantados nas localidades de Ilha Grande, Boa Vista e Jequi, em águas da bacia do Açude Orós, beneficiando 44 famílias. O clima entre os antigos pescadores artesanais, que agora são produtores de tilápia em cativeiro, é de contentamento e disposição para o trabalho.

Diariamente, eles acompanham 340 gaiolas em produção. De acordo com dados da Secretaria de Agricultura do Município, desde outubro passado que mensalmente são produzidas 10 toneladas em cada projeto. Em média, cada unidade do pescado pesa 750 gramas. O peso é ideal e abre as portas do mercado consumidor na região e também em Fortaleza.

A renda média mensal das famílias beneficiadas com a atividade é de R$ 500,00. "Todos estão satisfeitos e os projetos já estão em expansão", anunciou a secretária de Agricultura do Município, Marta Rocha. "Até o fim deste ano vamos dobrar a produção e o número de pessoas atendidas no projeto". Outras comunidades a serem atendidas são Córrego e Vassouras.

Nesta semana, foram coletados 25 mil quilos de pescado. Houve festa e mobilização nas três comunidades. "É um projeto que está dando certo", comemorou a presidente da Associação dos Aquicultores de Quixelô, Gessilene Josino de Araújo. O aumento do consumo de pescado na Semana Santa contribuiu para a venda de todo o estoque de tilápia nas gaiolas.

O projeto de piscicultura foi financiado pelo Banco do Brasil, por meio do programa de Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS), com recursos oriundos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Os produtores dispõem de dois anos de carência e cinco anos para liquidarem o financiamento. A parcela anual é de R$ 27 mil.

A ação faz parte do plano de desenvolvimento do Município, implantado na administração atual. "Temos projetos produtivos de piscicultura e frutíferas que estão caminhando com sucesso, gerando emprego e renda no campo", frisou o prefeito Gilson de Souza. "O nosso esforço é para ampliar a produção e retirar o atravessador da intermediação das vendas".

Uma equipe do Projeto São José, do Governo do Estado, visitou esta semana as três comunidades produtoras de tilápia em cativeiro. O Município apresentou a necessidade de ampliação dos projetos a partir da aquisição de uma fábrica de gelo, de unidade de beneficiamento, câmara frigorífica, de estocagem e de um veículo utilitário para o transporte e comercialização do pescado.

A ideia é agregar valor ao produto. Além da venda do pescado "in natura", serão produzidos filés, bolinhas, linguiças e outros derivados. "Com essas ações, a renda das famílias produtoras vai aumentar", prevê Marta Rocha. "A nossa expectativa é de crescimento". Os grupos também vendem o pescado para a merenda escolar por meio de programa de apoio à agricultura familiar.

Sensibilização
Antes de o projeto ser implantado, houve reuniões de sensibilização dos pescadores artesanais, acostumados a retirar do Açude Orós o sustento da família, mas de forma precária. O êxito da nova atividade exige organização dos grupos, noções de gerenciamento, divisão de trabalho e gestão de negócios. Os produtores foram capacitados por meio de treinamentos ofertados pelo Sebrae, CVT e o programa DRS. É uma exigência do Banco do Brasil para a liberação dos recursos.

Os produtores visitaram outros projetos de piscicultura no Açude Castanhão e em outros reservatórios da região. "No início, não acreditávamos, havia medo de não dar certo, mas vimos que é viável", comentou a presidente da Associação de Produtores de Ilha Grande, Derlange Soares.

MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria de Agricultura do Município de Quixelô

R. Pedro Gomes de Araújo, S/N, Centro

Telefone: (88) 3579. 1210

Honório Barbosa (Repórter)

Fonte: Texto Publicado na Coluna Regional do Jornal Diário do Nordeste em 23/04/11.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Fundação Brasil Cidadão no Ação de 23.04.2011

Para contar um pouco mais sobre o trabalho realizado pela Fundação Brasil Cidadão, que incentiva turismo sustentável e uso racional de água, Serginho Groisman recebe no estúdio a diretora-executiva da entidade, Maria Leiná Carbogim, em 23.04.2011:

A cidade de Icapuí, no litoral cearense, é o cenário de belas paisagens naturais. E na região que atua a Fundação Brasil Cidadão que incentiva e ensina a comunidade a praticar o turismo sustentável e o uso racional de água. O trabalho da ONG será mostrado no ‘Ação’ deste sábado, dia 23.

Uma das fontes de renda das famílias de Icapuí é o lucro proveniente da plantação de algas marinhas que também vira complemento para a merenda escolar através do projeto “De Corpo e Alga”. Um grupo de mulheres faz o manejo deste alimento e prepara as sobremesas. Outra alternativa é o turismo comunitário, também apoiado pela Fundação Brasil Cidadão. Através de treinamento, moradores da região se capacitam para realizar passeios por Icapuí.

A comunidade também é orientada pelo Projeto “De Olho Na Água”. Técnicos da ONG construíram um sistema de fossas secas nas residências e dão dicas à população de como realizar mudanças no saneamento básico de suas casas, pensando na conservação da água do subsolo que é a principal fonte do ecossistema no litoral. O resultado deste projeto é que a contaminação de água no subsolo vem sendo reduzida. 

Fonte: Televisão é Magia

quarta-feira, 20 de abril de 2011

ICMBio lança o Atlas da Fauna Ameaçada de Extinção

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) lançou, na semana passada, em Brasília, o Atlas da Fauna Ameaçada de Extinção, uma obra que contém mais de 1.300 registros sobre 314 espécies de animais em estado de risco no Brasil.
O levantamento foi feito para avaliar a eficiência do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc) na proteção de espécies que ocorrem em 194 unidades de conservação (UCs) federais do País.
O presidente do ICMBio, Rômulo Mello, disse que a instituição tem o objetivo de se tornar um centro de referência em pesquisas no Brasil, e que, ao divulgar as informações para toda a sociedade, pretende atrair a comunidade acadêmica para auxiliar na proteção da fauna ameaçada.
“Este documento permitirá um avanço de forma qualificada no processo de conservação. Permite ainda à sociedade brasileira saber aonde estão as UCs e quais espécies estão vivendo nestes locais. Os dados contribuem ainda para a criação de UCs e para o reforço e implementação de pesquisas nestas áreas protegidas”, afirmou.
Mapeamento
A obra aponta dados importantes para o mapeamento e a situação atual de inúmeras populações de animais em risco de extinção. Das 310 UCs federais, 198 já possuem registro de espécies ameaçadas. Na Caatinga, das 43 espécies em extinção identificadas, 41 vivem em UCs. As aves e os mamíferos foram os mais elencados no livro.
A publicação está disponível no portal do ICMBio, no formato PDF, e será distribuída para todos os centros de pesquisas e UCs. Os interessados podem contactar a Coordenação Geral de Espécies Ameaçadas do instituto.

Revista e site
Na ocasião, foram lançados, ainda, a revista eletrônica Bio Brasil, sobre biodiversidade brasileira; e o novo portal na Internet do ICMBio (www.icmbio.gov.br). A revista Bio Brasil é voltada à divulgação de informações técnico-científicas relativas ao conhecimento, manejo e conservação das espécies ameaçadas de extinção e das áreas protegidas federais.

Fonte: MMA

Agrotóxico está com maior poder de contaminação

Agricultores no Ceará estão expostos a uma variedade de doenças provocadas pelo uso indiscriminado de agrotóxico na lavoura
FOTO: CID BARBOSA
  
Limoeiro do Norte Maior do Nordeste e quarto do Brasil em quantidade de estabelecimentos que usam agrotóxico, o Ceará dobrou, em cinco anos, a venda de veneno e ampliou em 963,3% a venda de ingredientes ativos para os venenos. O dado faz parte de estudo coordenado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), consta de pesquisa de doutorado na Universidade de São Paulo (USP) e foi extraído do Censo Agropecuário do IBGE. Então, cada novo produto é mais potente (leia-se: tóxico) que o anterior.

O problema é que embora isso reflita uma maior atividade agrícola, também representou aumento de casos de intoxicação aguda nas pessoas, em que o agrotóxico é o principal responsável.

Desde ontem, representantes do Ministério da Saúde estão em Limoeiro do Norte, onde levantamento médico e científico constatou intoxicação aguda em um de cada três trabalhadores avaliados. Irritação, dores, tonturas, depressão, sangramento, fraqueza óssea, redução de memória, câncer e até morte de trabalhadores rurais foram diagnosticados no entorno de perímetros irrigados na Chapada do Apodi.

Se fosse dividida, por habitante, a quantidade de agrotóxicos que é utilizada no País, é como se cada brasileiro utilizasse cinco litros de veneno por ano. O Brasil é, hoje, o maior consumidor mundial desse produto, e o Ceará já era, em 2008, o maior do Nordeste em consumo e quarto no País, só perdendo para os Estados do Sul, conforme o IBGE. Mas, a cada ano, o aumento de evidências do impacto dos agrotóxicos na saúde das pessoas e do meio ambiente tem colaborado com o aumento da discussão: é possível uma vida saudável com veneno?

Conforme enunciado ontem no editorial do Diário do Nordeste, foi constatado agrotóxico no leite materno das mulheres do Município de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, Estado com a maior atividade agrícola e maior consumidor de agrotóxicos. De um grupo de 62 mulheres voluntárias, "no leite de todas elas foi constatada a contaminação em níveis preocupantes", afirmou editorial. Os dados são da pesquisa da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT).

A comparação com o histórico epidemiológico de Limoeiro do Norte é inevitável visto que, de forma tardia, persistem neste Município cearense três combinações que coincidem com a cidade de Lucas do Rio Verde: expansão agrícola com grande uso de agrotóxicos (inclusive pulverização aérea), fiscalização frouxa das leis e uma situação de incredulidade das evidências, seja por parte de produtores agrícolas seja por parcela do poder público.

Levantamentos apontados no estudo epidemiológico realizado pelo Núcleo Trabalho Meio Ambiente e Saúde para a Sustentabilidade (Tramas), da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, trazem dados preocupantes. Foram investigados 35 sintomas gerais (pele, olhos, nariz e garganta e neurológicos), os quais fazem parte dos quadros de intoxicação aguda, subaguda ou crônica por diferentes ingredientes ativos de agrotóxicos.

Trinta e três por cento dos trabalhadores entrevistados referiram quadros que podem ser considerados como intoxicação aguda por agrotóxicos. Do grupo de trabalhadores pesquisados, 37% alegaram dores de cabeça, 18% apresentaram agravo na redução de memória e irritabilidade, e outros 49,3% alegaram problemas de pele e, também, mucosas.

No quadro de distribuição de sintomas em órgãos do corpo e sistemas, num levantamento com trabalhadores rurais, foram constatados vários problemas, dentre os quais irritação de nariz, garganta e olhos, dificuldade respiratória, dores no peito, nas pernas, tonturas, depressão, zumbido, tremores no corpo. De 75 trabalhadores de empresas agrícolas "que se sentiram mal pelo uso dos agrotóxicos por segmento", diz a pesquisa, 45,3% foram atendidos na empresa, 21,3% procuraram hospital público, 5,3% em posto de saúde e, o mais grave, 25,3% não procuraram atendimento médico.

Os estudos foram conduzidos pela médica Raquel Rigotto, pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com apoio do Ministério da Saúde e de outras universidades do País.

Emblemático

Até mesmo dados levantados por órgãos do Governo do Estado são utilizados no contexto do estudo epidemiológico. Mas no círculo de debates, o trabalho é contestado por empresas agrícolas e mesmo órgãos públicos que insistem em desfazer qualquer associação entre o atual modelo agrícola e possíveis impactos causados por agrotóxicos na saúde de trabalhadores rurais.

O caso clínico mais emblemático é de José Vanderley, funcionário de uma empresa multinacional. Por três anos, trabalhou no setor de aplicação de agrotóxicos. Laudo apontou quadro clínico compatível com doença hepática - hepatopatia por substâncias tóxicas, sustentada na evidência de exposição ocupacional prolongada a diferentes ativos de agrotóxicos.

PESQUISA
Risco da pulverização aérea

Na discussão sobre o que pode estar causando doenças em trabalhadores rurais, o agrotóxico é apontado como o grande vilão. E uma de suas ferramentas principais seria a prática da pulverização aérea. Produtores agrícolas e até mesmo engenheiros agrônomos divergem sobre o poder de contaminação de uma pulverização "dentro da lei". De acordo com a Embrapa, mesmo com calibração, temperatura e vento ideais, a pulverização aérea deixa cerca de 32% dos agrotóxicos retidos nas plantas, 49% vão para o solo e 19% vão pelo ar para áreas circunvizinhas da aplicação. É essa última parte a maior reclamação de comunidades na Chapada do Apodi.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), com dados levantados de 2005, por anos eram registradas em média sete milhões de intoxicações severas por agrotóxicos, das quais 70 mil resultaram em morte. Estes agraves somam-se a efeitos crônicos: 25 mil casos de sequelas neurocomportamentais (de cabeça) e 37 mil casos de câncer.

Casos de câncer

Embora Raquel Rigotto e os demais pesquisadores não afirmem categoricamente que os agrotóxicos estejam provocando câncer em Limoeiro, deixam os dados falarem por si: em 23 localizações anatômicas de câncer, prevaleceu incidência em agricultores. Com base no levantamento do Instituto do Câncer do Ceará (ICC), ser agricultor confere maior risco de se ter câncer. Destacam-se: tireoide (1,12), próstata (1,17), laringe (1,30), rim (1,30), cólon - junção reto sigmóide (1,31), esôfago (1,40), olhos e anexos (1,58), tecido conjuntivo (1,62), linfomas (1,63), mama masculina (1,67), mieloma múltiplo (1,83), bexiga urinária (1,88), testículo (5,77), leucemias (6,35), pênis (6,44).

"Há um descontrole institucional na utilização dos produtos", aponta Alice Pequeno, pesquisadora do TRAMAS e que estudou a Chapada do Apodi em sua tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP). Ela reclama da prática comum de apontar apenas o pequeno produtor como culpado pelo uso indiscriminado de agrotóxicos.

"MOVIMENTO 21"
Protestos continuam em Limoeiro

O dia 21 de abril marca o primeiro ano de morte do líder comunitário "Zé Maria do Tomé". Caso continua impune

Desde ontem diversos militantes sociais, religiosos, professores e estudantes estão reunidos neste Município para o "Movimento 21", em alusão ao 21 de abril de 2010, quando o líder comunitário José Maria Filho foi assassinado a caminho de casa, na Chapada do Apodi. Hoje pela manhã, centenas de trabalhadores rurais e militantes fazem panfletagem e marcha de protesto contra impunidade, passando pelos bairros Antônio Holanda, Luis Alves de Freitas e Bom Nome. São bairros fornecedores de mão-de-obra para os perímetros irrigados Jaguaribe-Apodi e Tabuleiros de Russas.

Haverá marcha até a sede do Ministério Público do Trabalho, no Centro da cidade, para cobrar a apuração do crime contra o "Zé Maria do Tomé" e sobre as mortes de Vanderlei e Valderi Rodrigues, ambos cujo drama em vida foi acompanhado pela reportagem. As famílias ainda apelam na Justiça.

A morte de José Maria Filho é investigada pela Delegacia de Homicídios. Somente dois meses atrás foi realizado o exame de balística, comprovando que a arma usada no crime é de uso exclusivo das polícias e da Forças de Segurança Nacional.

Zé Maria do Tomé teve 25 perfurações de pistola e fuzil. Ainda hoje movimentos religiosos e sociais lutam para que o caso seja transferido para a Polícia Federal.

Caminhada

Os participantes do "Movimento 21" ainda farão uma caminhada do local do assassinado de José Maria até a praça da comunidade do Tomé, onde ele era líder. Será inaugurado o Memorial Zé Maria, e haverá celebração religiosa. Estudantes das escolas públicas farão apresentações culturais sobre agrotóxicos e o meio ambiente.

O cantor popular Zé Vicente encerrará o ato de um ano da morte do homem que lutava contra o abuso de agrotóxicos na agricultura da região do Baixo Jaguaribe.

Nos últimos meses o Ministério Público do Trabalho em Limoeiro tem realizado reuniões com vários órgãos e empresas para discutir a problemática dos agrotóxicos e as questões trabalhistas na região.

Já foram apresentados relatórios da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), sobre contaminação da água com defensivos químicos, da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), sobre contaminação do lençol freático em Morada Nova, e dados do Núcleo Tramas, da UFC.

A próxima reunião acontecerá no dia sete de junho, aberta para quaisquer interessados.

Melquíades Júnior
Colaborador

Fonte: Texto publicado na Coluna Regional do Jornal Diário do Nordeste em 20/04/11.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Vestibulando!


(UFAL) Sobre o tema Urbanização, analise as afirmações a seguir.

1) Os fatores que funcionam como atrativos da urbanização, nos países subdesenvolvidos, estão ligados basicamente ao processo de industrialização.
2) A forte urbanização nos países subdesenvolvidos só ocorreu em face do processo de globalização verificado após o fim da URSS, quando houve um aumento de exportações dos produtos primários.
3) As cidades, nos países desenvolvidos, foram se estruturando para absorver os migrantes, havendo, então, melhorias na infra-estrutura urbana e um aumento da geração de empregos.
4) Nas áreas metropolitanas de países subdesenvolvidos, muitos desempregados, para garantir a sobrevivência, refugiam-se no subemprego da economia informal.

Estão corretas apenas:
a) 1 e 2
b) 2 e 4
c) 1 e 4
d) 2 e 3
e) 1, 3 e 4
 
(UFAC) A intensa e acelerada urbanização brasileira resultou em sérios problemas sociais urbanos,
entre os quais podemos destacar:

a) Falta de infra-estrutura, limitações das liberdades individuais e altas condições de vida nos centros urbanos.
b) Aumento do número de favelas e cortiços, falta de infra-estrutura e todas as formas de violência.
c) Conflitos e violência urbana, luta pela posse da terra e acentuado êxodo rural.
d) Acentuado êxodo rural, mudanças no destino das correntes migratórias e aumento no número de favelas e cortiços.
e) Luta pela posse da terra, falta de infra-estrutura e altas condições de vida nos centros urbanos.
As respostas das questões referentes ao dia 17/04 são respectivamente A e E.

Quarenta novas espécies de peixes são encontradas no Rio Madeira

AdiPseudohemiodon apithanos, nova espécie descoberta no Rio Madeiraz
Quarenta novas espécies de peixes foram encontradas no Rio Madeira, um dos afluentes do rio Amazonas, em um estudo realizado pela empresa Santo Antônio Energia. Além disso, 777 tipos de peixes - inclusive os novos - foram listados no local.
A pesquisa faz parte do Programa de Conservação de Ictiofauna (peixes de uma determinada região biogeográfica), do Projeto Básico Ambiental, que precisa ser seguido para que a Santo Antônio Energia comece a operar a hidrelétrica Santo Antônio.
A hidrelétrica está sendo instalada há dois anos na região e já tem duas licenças ambientais concedidas pelo Ibama: a licença prévia e a de instalação. Para começar as operações, a Santo Antônio precisa ainda da licença de operação. As pesquisas foram realizadas em parceria com o laboratório de ictiofauna e pesca da Universidade de Rondônia (Unir).
"O Rio Madeira está sendo estudado há anos e até 2008, quando obtemos a primeira licença, listamos 400 espécies de peixes", disse o biólogo e coordenador de sustentabilidade da concessionária, Aloísio Otávio Ferreira. E completou: "Após essa licença começamos a estudar 1.700 quilômetros de extensão do rio, chegando a 777 espécies de peixes".
Ferreira explicou como a empresa fará para proteger esses novos peixes encontrados. "Haverá dois grandes sistemas para a transposição dos peixes por meio de canais controlados por duas comportas", contou.
Além disso, alguns trechos do rio Madeira fazem parte de áreas de proteção permanente (APP) que, para a manutenção dos peixes, serão ampliadas nos locais onde os animais foram encontrados, de acordo com a coordenadora do Laboratório de Iciofauna e Pesca da Unir, Carolina Dória.
Segundo Carolina, as novas espécies de peixes encontradas são, em geral, de pequeno porte, como novos tipos de lambaris e tilápias. "Os animais não servem para a pesca comercial."
A empresa já deu entrada ao processo de concessão da licença que falta para iniciar as operações da hidrelétrica. Caso esteja de acordo com a lei, a autorização será dada no dia 15 de agosto desse ano e as operações começam até dezembro.
A hidrelétrica ocupará 120 quilômetros da extensão do rio e terá 44 turbinas. A conclusão do projeto está prevista para 2015 e a partir da concessão final, as turbinas que estiverem prontas serão ligadas aos poucos e fornecerão energia para o Sistema Interligado Nacional (SIN), que abastece mais de 95% do país.

Por Olavo Guerra (National Geographic Brasil).

segunda-feira, 18 de abril de 2011

História das charqueadas

Filmagem do documentário na Fazenda Castanhão, em Nova Jaguaribara.



Uma das principais rotas do charque no Ceará está registrada em imagens feitas por pesquisadores no interior
Fortaleza "Rapaz, bote um cavalo aqui agora que eu corro atrás de boi. Ontem mesmo sonhei que selava um cavalo pra ir atrás de um". Os quase 100 anos e as sequelas de uma vida de agruras não arrefeceram em Zé das Araras o gosto pela vida de correr atrás de boi. O vaqueiro de Nova Jaguaribara perdeu parte de um dedo e o movimento de outro, mas ainda sonha com caatingas e reses ariscas. Este e outros depoimentos fazem parte do documentário "Charqueadas", que será lançado no próximo dia 3 de maio, no Centro Cultural Oboé, em Fortaleza.

O início das filmagens foi tema de matéria exclusiva do Caderno Regional, no dia 16 de janeiro. Agora a equipe está finalizando a edição do material, que retrata uma das principais rotas do charque do Ceará, seguindo o curso dos rios Salgado e Jaguaribe. O diretor do documentário, Roberto Bomfim, optou por vivenciar "na pele" o cotidiano dos vaqueiros, fazendo partes da travessia a cavalo. "Em alguns momentos, por conta das condições das estradas e passagens molhadas, nós que íamos a cavalo conseguíamos chegar primeiro que os carros", recorda o diretor.

Declínio
A ideia original era que o documentário também tivesse cenas em Pelotas (RS). Foi para lá que o charqueador português José Pinto Martins, inicialmente instalado em Aracati, se mudou para fugir da grande seca de 1777. Pinto Martins levou a técnica da salga da carne para aquela região. As variações climáticas e a concorrência com o produto do Sul provocaram o declínio da primeira atividade econômica cearense.

"Se conseguirmos verba para lançar o documentário na Europa, vamos nos deslocar para Pelotas e fazer uma segunda versão do documentário. Acho muito importante incluir Pelotas, não apenas para mostrar como foi o declínio da charqueada no Ceará, mas também mostrar as similitudes entre o gaúcho e o nosso vaqueiro. Pessoas muito ligadas à terra, bairristas, valentes, enfrentando condições extremas", afirma Roberto Bomfim.

Aos depoimentos de historiadores e memorialistas, que fazem um balanço do impacto da pecuária extensiva e das oficinas de charque para a ocupação do interior cearense, somam-se as recordações e vivências de vaqueiros, ribeirinhos, comerciantes e fazendeiros no caminho entre Icó e Aracati. Pessoas que testemunham um mundo em plena transformação com a tecnologia e as "modas" da juventude. Roberto Bomfim diz que muitos lamentam o fato de os filhos e netos não seguirem a atividade, que aos poucos está se perdendo.

A equipe ainda está procurando apoios para fazer o lançamento do documentário nas cidades por onde a expedição passou, como forma de agradecer toda a disponibilidade que encontraram pelo caminho. "O que mais me marcou foi a pureza e a simplicidade desse povo. Depois de fazer esse documentário, eu me sinto mais cearense do que nunca. São pessoas que abrem as portas das suas casas, nos ajudaram em tudo que fosse possível. Nunca vou me esquecer do tambaqui de cinco quilos que o seu Luís, fazendeiro que vive a 25km de Icó, mandou fazer cozido no leite. Gostaria que todo cearense se dispusesse a fazer uma aventura", finaliza.

Hipótese
A charqueada foi o primeira atividade econômica de relevo no Ceará. Não existe um consenso sobre quem teria trazido a técnica da charqueada ou se ela foi desenvolvida na própria capitania. O pesquisador Geraldo Nobre, no livro "As Oficinas das Carnes do Ceará" (1977), levanta a hipótese de a charqueada ter sido trazida pelos descendentes do holandês Joris Garstman, que comandava o forte dos Reis Magos (RN).

Eles teriam ocupado a ribeira do Jaguaribe e de lá espalhado a técnica. O fato é que as oficinas aqui encontraram um ambiente propício. O vento constante, a baixa umidade do ar e o acesso a fontes salinas permitiam a boa secagem do produto.

Os portos eram privilegiados pela proximidade dos pontos consumidores. Com o declínio da carne do Ceará por conta das secas e da concorrência com o charque do Sul, deu-se início ao ciclo do algodão.

MAIS INFORMAÇÕES
Lançamento do documentário "Charqueadas", Dia 3 de maio, às 19h30, Centro Cultural Oboé (Rua Maria Tomásia, 531, Aldeota - Fortaleza)



Karoline Viana
Repórter

domingo, 17 de abril de 2011

Vestibulando!

(PUC-SP) "Os ecossistemas são ambientes naturais que se caracterizam pela auto-suficiência, isto é, produzem tudo o que necessitam consumir.
            Uma floresta, por exemplo, é formada de vegetais, produtores de alimentos, em quantidade suficiente para a alimentação de todos os seres - animais ou vegetais que a habitam. (...) Há assim, uma reciclagem, uma troca constante de matérias dentro do próprio ecossistema. Por isso dizemos que ele é auto-suficiente. Não há necessidade de se introduzir nenhum material de fora nem de retirar subprodutos.
            Mas na cidade não é assim. Ela não é auto-suficiente. Necessita de uma porção de matérias-primas que vêm de fora, e geram uma série de subprodutos que precisam ser eliminados, sob pena de causar a poluição de todo o sistema."
                        Branco, Samuel Murgel.
                        ECOLOGIA DA CIDADE
                        São Paulo, Moderna,1991.

Verifique quais das afirmações a seguir reforçam a idéia principal do texto. Em seguida, escolha a alternativa que contém as afirmações corretas.

1 - As cidades são áreas de consumo e de processamento de matérias-primas e produzem, por conseqüência, uma grande quantidade de resíduos que, se não tiverem tratamento adequado, vão comprometer a qualidade de vida de suas populações.
2 - A manutenção de reservas de área verde nas cidades é fundamental para a amenização do "efeito estufa", pois a vegetação consome uma grande quantidade de gás carbônico no seu processo de fotossíntese.
3 - A única solução encontrada até hoje para o destino de todo o lixo urbano é a dos aterros sanitários, apesar de serem estes os principais responsáveis pela contaminação dos mananciais, comprometendo a qualidade das águas.

a) apenas 1.
b) apenas 2.
c) 1 e 2.
d) 1, 2 e 3.
e) 2 e 3.

  
(ENEM) Caldas - MG assim externou o que estava acontecendo em sua cidade:

            Hoje, o planalto de Poços de Caldas não
            serve mais. Minério acabou.
            Só mancha, "nunclemais".
            Mas estão "tapando os buracos", trazendo para
            cá "Torta II"¢,
            aquele lixo do vizinho que você não gostaria
            de ver jogado no quintal da sua casa.
            Sentimentos mil: do povo, do poeta e do Brasil.
            Hugo Pontes. In: M.E.M. Helene. "A radioatividade e o lixo nuclear". São Paulo: Scipione, 2002, p.
            Torta II - lixo radioativo de aspecto pastoso.

A indignação que o poeta expressa no verso "Sentimentos mil: do povo, do poeta e do Brasil" está relacionada com:
a) a extinção do minério decorrente das medidas adotadas pela metrópole portuguesa para explorar as riquezas minerais, especialmente em Minas Gerais.
b) a decisão tomada pelo governo brasileiro de receber o lixo tóxico oriundo de países do Cone Sul, o que caracteriza o chamado comércio internacional do lixo.
c) a atitude de moradores que residem em casas próximas umas das outras, quando um deles joga lixo no quintal do vizinho.
d) as chamadas operações tapa-buracos, desencadeadas com o objetivo de resolver problemas de manutenção das estradas que ligam as cidades mineiras.
e) os problemas ambientais que podem ser causados quando se escolhe um local para enterrar ou depositar lixo tóxico.


As respostas das questões postadas no dia 13/04 são respectivamente: E e A.

Apoio ao artesanato indígena

Indios de vários Municípios do Estado do Ceará levam suas peças artesanais para a loja da Ceart em Fortaleza

Fortaleza A natureza é celebrada pelos índios com artesanato. As singularidades culturais são cultivadas em "bio-jóias" de cada novo colar de sementes, cocá, ou mesmo nas tintas vegetais que transformam desenhos no corpo. O artesanato popular indígena pode ser encontrado muito antes das aldeias de cada etnia. Em parceria com a Central do Artesanato (Ceart), a Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) apoia a produção artesanal étnica, que pode ser conferida em Fortaleza na Loja de Artes Indígenas Toré Torém.

Pelo menos seis etnias indígenas estão levando suas peças artesanais para a loja em Fortaleza, proporcionando a apreciação dos não-índios e gerando trabalho e renda para os povos indígenas: Tapeba (Município de Caucaia), Pitaguary (Municípios de Itarema e Acaraú), Jenipapo-Kanindé (Aquiraz), Kanindé (Aratuba) e Tabajara (Poranga). Têm de colares de sementes a arco e flecha para decoração. Peças de barro são utensílios domésticos, e camisas ilustradas revelam as caras e cores dos índios do Ceará.

A arte Tapeba é uma das mais procuradas. Os índios Ivonilde e Flávio Tapeba tentam atender à demanda. Além da compra direta na loja tem cliente que encomenda os produtos. Fazem sucesso as ´quartinhas´, potes de barro de médio porte para água potável, e os arco e flecha para decoração de parede.

Os Pitaguary produzem colares de sementes e bolsas de palha; os Tremembé de Almofala, em Itarema mandam colares, potes e camisas com a "rosa do torém" - índios em ciranda, símbolo daquela etnia.

A Loja de Artes Indígenas Toré Torém é mantida pelo Instituto de Responsabilidade Social, da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), com apoio da Central de Artesanato do Governo do Estado.

Preços

É aberta de segunda a sábado convergendo as peças artísticas e artesanais das etnias, evitando a exploração econômica por atravessadores. O preço das peças é dado pelos próprios índios, que recebem o "valor justo". Apenas uma pequena porcentagem fica para auxílio de manutenção do lugar, que funciona diariamente de 9 às 18 horas e de 10 às 15horas aos sábados.

Os preços variam de R$ 4,90 (um colar de sementes) a R$ 32,90 (um ponte de cerâmica). Em cada produto uma etiqueta com o nome da etnia e do artesão que fez.

A loja é o grande braço da Fiec no Programa de Difusão da Cultura Indígena. Realidade material, criatividade, espiritualidade e imaginário coletivo são repassados para além das aldeias, atingem os não-índios como uma forma de reafirmação da identidade indígena no Estado do Ceará.

"A cultura indígena, cortada no tronco pela colonização, possuía raízes e, com o tempo, os sinais de sua existência voltaram a brotar.

O que foi jogado na clandestinidade continua existindo, embora sem o reconhecimento da cultura oficial. As culturas de tradição indígena vão, de pouco em pouco, reaparecendo, mostrando suas marcas nas cerâmicas, nos trançados, na tecelagem e até nas pinturas realizadas em tela", diz o pesquisador Roberto Galvão em seu livro "Arte Tremembé", sobre a resistência do povo indígena do Litoral Oeste do Estado.

Difusão

O Programa de Difusão da Cultura Indígena, da Fiec, tem três eixos principais: No de Cadeias Produtivas faz Estruturação de novos grupos de produção de artesanato indígena e fortalecimento dos grupos já existentes, proporcionando a comercialização desses produtos por meio da Loja de Artes Indígenas localizada na Ceart, administrada pelo Instituto Fiec em parceria com a Secretaria de Empreendedorismo do Governo; Em Ações Socioeducativas, disseminar a cultura e o valores de uma educação para a sustentabilidade, estimulando a participação comunitária em torno das atividades realizadas nos Centros de Artes das aldeias Indígenas.

No eixo de Memória e Patrimônio Cultural atua em projetos voltados para disseminar e difundir a cultura indígena, com ações respaldadas no resgate histórico das tradições e a sua importância para a constituição da cultura indígena cearense, tendo como destaque o Projeto Exposição Arte Indígena e o Acervo Indígena, composto por mais de 600 peças de diferentes tipologias de artesanato.


FIQUE POR DENTRO

As várias etnias
A igreja de Nossa Senhora da Assunção de Almofala dos Tremembé é referência na luta pelas terras do antigo aldeamento indígena. A "igreja dos índios" foi soterrada pelas dunas em 1892 e assim ficou por 50 anos, causando dispersão dos Índios Tremembé para as localidades de Córrego do João Pereira e Camondongo (Itarema), Queimadas (Acaraú), e São José e Buriti (Itapipoca).

Em 1996, o índio Kanindé José Maria Pereira dos Santos, o "cacique Sotero", incentivou a abertura para visitação pública ao "Museu dos Kanindé", que traz em seu acervo artesanato, com destaque para os trabalhos de madeira, instrumentos de caça e dança até então mantidos sob sigilo.

Os índios Tapeba têm uma recheada agenda cultural, com participação das outras etnias. Em julho acontecem os jogos indígenas estaduais, com todos os povos; em agosto ocorre a feira cultural do povo tapeba, os jogos indígenas tapeba e o ritual de purificação das crianças.

Em setembro ocorre a festa da carnaúba e inicia a fabricação do mocororó. Em 3 de outubro comemora-se o dia do índio tapeba. Dezembro é o mês da colheita da mandioca e das celebrações da "farinhada". Em mais uma iniciativa de afirmação étnica, os índios Potyguara, de 20 comunidades nos Municípios de Crateús, Monsenhor Tabosa, Novo Oriente e Tamboril retomaram a pesquisa e o ensino do Tupi, a língua ancestral.



PATRIMÔNIO IMATERIAL
Manifestações artísticas e culturais
O valor imaterial difundido nas danças, brincadeiras, cânticos e orações revelam a resistência de um povo.

Aquiraz O artesanato se soma às outras manifestações artísticas e culturais dos índios. O valor imaterial difundido nas danças, brincadeiras, cânticos e orações revelam a resistência do povo, sua história de vida. Em pelo menos 13 principais etnias espalhadas pelo interior, os índios dialogam arte e cultura com o senso de preservação ambiental. Aos poucos, são reconhecidos pelos não-índios, que passam a perceber os povos indígenas fora dos estereótipos de seres desnudos e pintados. Primitivo é esse pensamento.

É fato que 30 anos atrás era bem mais difícil compreender a existência de índios no Ceará. Sempre existiram donos naturais das terras bem antes da colonização, mas, com a chegada dos europeus, a aculturação foi tanta que até mesmo entender-se índio era um desafio para grupos que hoje se definem de etnias indígenas. Sim, o Ceará é terra de índios. Eles estão espalhados pelo interior, desde a Região Metropolitana de Fortaleza. Entretanto, não espere povos vivendo em ocas, isolados, essa segmentação há muito deu lugar à integração. De acordo com o antropólogo Sérgio Brissac, modo de vestir ou de falar não é definidor da identidade indígena.

Estereótipos
"Sou índio" é uma afirmação que transcende os estereótipos. A comunidade Tapeba, em Caucaia, é um típico povoado de interior. O atraso ou a modernidade lá chegou na mesma velocidade com que povoados de não-índios. A diferença está na identificação com a ancestralidade. E nas últimas décadas, reconhecendo seus direitos indígenas, dezenas de grupos reacendem a chama de suas singularidades, suas expressões culturais mais tradicionais, sagradas. Os mais jovens entram na roda da luta desde pequenos - existem cerca de 40 escolas indígenas em 16 Municípios do Estado.

O artesanato é uma forma de chegar a outros lugares e dizerem "sim, nós existimos".

O reconhecimento, a demarcação e a homologação de terras indígenas cearenses é, para os índios, pretexto bom para o convite aos não-índios conferirem o que eles têm de melhor: a cultura. Quem vê, toca e sente, só chega a uma conclusão: "é, eles existem".

Diversas peças da cultura indígena estão expostas na Ceart
FOTOS: THIAGO GASPAR




As peças produzidas pelas etnias são diversificadas e encantadoras, de colares a artigos de decoração


MAIS INFORMAÇÕES
Loja de Artes IndígenasPeças de artesanato, Município de Fortaleza
Telefone: (85) 3224.7291

Fonte: Texto publicado na Coluna na Regional do Jornal Diário do Nordeste em 17/04/11.

Dia Nacional da Caatinga ganha comemoração


No Município de General Sampaio, uma programação vai destacar o Dia da Caatinga, 28 de abril
Limoeiro do Norte "Nessa vida eu só preciso/de um sorriso pra florar/ Terra seca desse meu peito/ Dê um jeito de arrancar. Ca cá ta vento vento/ Catavento (...) Roda roda catavento traz o tempo de cantar". A canção "Catavento", de Oswald Barroso e Eugênio Leandro, jorra lirismo de um bioma cujo patrimônio biológico não é encontrado em outra parte do mundo além do Nordeste brasileiro: a Caatinga. Esse ´mundão´ do qual se olhando no horizonte é imenso verde na estação chuvosa e esbranquiçado nos meses secos. Longe de ser região pobre, compõe o cartão-postal biológico em nove Estados, de rica fauna e flora e cheia de cataventos conectados com o subterrâneo. Já iniciaram comemorações pelo Dia Nacional da Caatinga, em 28 de abril.

Uma vegetação singular, de uma fauna igualmente ímpar, que atravessa Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e o norte de Minas Gerais. Eis a Caatinga, um bioma essencialmente brasileiro. A palavra vem do Tupi, significa ´mata branca´. Tem uma imensa flora, com mais de mil espécies de plantas aqui encontradas, e centenas de espécies de aves e de mamíferos, e outras tantas dezenas de anfíbios e répteis.

No interior do Estado, professores e alunos se debruçam sobre o tema desse imenso bioma. É assim sempre que se aproxima o dia 28 de abril. A data é comemorada desde 2003, por decreto presidencial, ensejando homenagem ao ecólogo e professor João Vasconcelos Sobrinho, pioneiro nos estudos sobre o bioma. A Associação Ambiental Francy Nunes, em parceria com Associação Asa Branca, Ministério da Cultura e Governo do Ceará, lançou concurso de fotografia propondo "um novo olhar sobre o bioma Caatinga". As fotos vencedoras em 2010 foram olhares da vegetação no entorno da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) em General Sampaio. São três fotógrafas: Fernanda Salviano Santos (1ºlugar), Maria Nilce da Silva (2º) e Priscila Thaiana Alves de Oliveira (3º lugar).

Concurso
O concurso é uma realização do ambientalista Francy Nunes, proprietário da RPPN. Era uma área privada que de ociosa virou verdadeiro laboratório da experiência de convivência com o semiárido. O senso de preservação estendeu-se a outros donos de terras e ganhou adesão de vários grupos ambientais.

O concurso deste ano só acontecerá no segundo semestre. Tal qual em 2010, premiará com câmera fotográfica o primeiro colocado, binóculo para o segundo, e um livro sobre meio ambiente para o terceiro colocado.

Conforme a gerente da Associação Francy Nunes e estudante do curso de especialização em Educação Ambiental da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Kelma Nunes, a intenção é que neste ano o concurso seja repercutido nas escolas públicas do Município de General Sampaio. "Os jovens que participaram de oficinas de fotografia e foram premiados no ano passado poderão, agora, repassar o que aprenderam, para encontrarmos outros olhares, de outros jovens", afirma.

A Caatinga ocupa cerca de 13% do território nacional, mas tem o terceiro ecossistema brasileiro mais degradado, atrás apenas da Mata Atlântica e do Cerrado. Suas riquezas naturais, quando não são desconhecidas, são exploradas exaustivamente ou subaproveitadas. "Há um estigma que a Caatinga não tem valor. É uma ideia que permeia ao longo de décadas, promovendo principalmente a baixa autoestima dos que nela habitam. Enquanto isso, cada vez mais vai-se dizimando a nossa ´mata branca´", lamenta ela. Mas o contentamento se dá pelas atividades de grupos ambientais, com apoio do Ministério do Meio Ambiente. Assim estão conseguindo desenvolver o Plano de Manejo em General Sampaio.

MAIS INFORMAÇÕES Associação Francy Nunes
Município de General Sampaio
Telefones: (85) 9129.8277/ (85) 9945.7258

BIODIVERSIDADE COMPROMETIDA
Exploração causa perda do território
Limoeiro do Norte Não há dúvida de que a Caatinga é rica em biodiversidade. Das várias espécies encontradas nesse imenso território, muitas são exclusivas do semiárido, só aumentando a relevância do lugar. Mas é também a Caatinga vítima da exploração desenfreada. Perdeu 60% do seu território original, segundo pesquisa realizada por dez instituições nordestinas, incluindo a Universidade Federal do Ceará (UFC). No diagnóstico do mau uso, as queimadas, o desmatamento e o abuso da monocultura agrícola. Apenas 2% do bioma está protegido de forma legal.

O bioma Caatinga abriga 932 tipos de plantas. Desses, 380 são exclusivas desse território. Para especialistas, a expansão da fronteira agropecuária no semiárido e o uso da lenha como fonte de energia são grandes contribuintes para a destruição do ecossistema. Assim se deu com o desmatamento para a produção da cana-de-açúcar em larga escala.

Monocultura
Mesmo nos perímetros irrigados, o cultivo na monocultura sem manejo correto tem provocado vários problemas. Sempre no mês de janeiro, o Perímetro Irrigado da Chapada do Apodi, em Limoeiro do Norte, sofre com a incidência de fortes ventos. Os vendavais destroem principalmente as plantações de banana, gerando prejuízos milionários aos produtores do local. De acordo com geógrafos, um dos fatores para os estragos causados pelos ventos é justamente o grande desmatamento, com a destruição de árvores que, antes, funcionavam como quebra-ventos. Com o solo "limpo", o vento encontra espaço, e atinge justamente as plantações.

O levantamento que apontou a perda de 59,44% de área da Caatinga foi elaborado no ano de 2008 por 47 especialistas de várias instituições, dentre as quais: Associação Plantas do Nordeste (APNE), Embrapa, Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado da Bahia (Semarh), Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na Bahia, e as universidades federais de Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba.

Fernanda Salviano foi a vencedora do concurso de fotografia de 2010. A imagem retratou a vegetação da Reserva Particular do Patrimônio Natural em General Sampaio
FOTO: FERNANDA SALVIANO
Maria Nilce da Silva participou do concurso de fotografia no ano passado, realizado pela Associação Ambiental Francy Nunes, e tirou o segundo lugar com a foto acima
FOTO: MARIA NILCE
Foto que obteve o terceiro lugar no concurso da Associação, feita por Priscila Thaiana Alves de Oliveira
FOTO: PRISCILA LAVES

  Fonte: Texto publicado na Coluna Regional do Jornal Diário do Nordeste em 17/04/11.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Vestibulando!

(FUVEST) Entre os cinco países europeus relacionados a seguir, assinale aquele cujas características são representadas de forma correta:
a) Polônia - país da Europa Central, de clima frio, grande exportador de minérios de ferro e manganês.
b) Bélgica - país altamente industrializado, caracterizado por clima frio continental.
c) Suíça - país de relevo montanhoso e economia baseada na monocultura de exportação.
d) Dinamarca - país escandinavo, de clima temperado, importante exportador de trigo.
e) Espanha - país planáltico banhado pelo Mediterrâneo, com forte participação do turismo na economia.



(UNESP) Identifique a alternativa que contém todas as informações corretas em relação à América Latina.

1. O México, por estar na América do Norte, não pertence à América Latina.
2. O Brasil é o maior país da América do Sul, ocupando toda a porção centro-ocidental do continente sul-americano.
3. O Chile e o Equador são os únicos países sul-americanos que não se limitam com o Brasil.
4. O Brasil é o único país da América do Sul, colonizado por portugueses.
5. A Bolívia e o Paraguai são os únicos países centrais da América Latina.
6. Os Andes representam as maiores elevações da América do Sul pela porção ocidental.

Assinale a alternativa que apresenta SÓ afirmativas corretas.
a) 3, 4, 5 e 6
b) 1, 3, 4, 5 e 6
c) 2, 3, 4 e 5
d) 1, 2, 3, 4 e 5
e) 2, 4, 5 e 6

As respostas das questões referentes a 08/04 são respsctivamente: A e B.

História na Areia

Arqueologia
Nos últimos 30 anos, um pescador vem rastreando, à flor do chão, no alto  de dunas, uma diversidade de objetos que podem reescrever a história da ocupação humana no litoral do Ceará. Vasculhando as areias nos arredores da vila de Ponta Grossa, em Icapuí, Josué Crispim já encontrou inúmeras pedras lascadas e polidas por homens pré-históricos, além de cerâmicas indígenas e objetos supostamente deixados por navegadores holandeses que passaram por ali no século 17, como moedas, talheres, garrafas e pedaços de porcelana. Os achados são tantos que já enchem um cômodo inteiro da casa simples onde o pescador mora com a família. Ele e o produtor de documentários Ricardo Arruda elaboraram um projeto para criar uma Casa de Cultura no local, mas  falta de apoio financeiro para concretizar  a ideia.
O caso ilustra bem como a arqueologia  de zonas costeiras do Brasil carece de pesquisas mais consistentes. Para o arqueólogo Marcos Albuquerque, da Universidade Federal de Pernanbuco - UFPE, ainda não é possível traçar a linha da ocupação humana naquele litoral, pois "não foram feitas escavações, fundamentais para reconstruir o contexto em que os objetos seriam usados ou descartados de acordo com a posição tridimencional deles no sítio, nem datações para definir a origem aproximada de cada artefato", diz. "E o perigo é o avanço imobiliário impedir um estudo mais aprofundado", alerta Albuquerque. 

Publicado na Revista National Geographic Brasil na edição de Março de 2011.