Este blog é direcionado para os alunos da Escola Municipal Genildo Miranda no Sítio Lajedo em Mossoró-RN, para os alunos da Escola Estadual Rui Barbosa no município de Tibau-RN, para todos aqueles amantes da Educação Geográfica e também para os que se propõem a discussão de uma Educação contextualizada.

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sábado, 11 de junho de 2011

Metodologias mais comuns no ensino de Geografia

Até meados de 1970, o ensino da disciplina era ancorado apenas em uma abordagem. Depois, duas novas correntes surgiram.

TRADICIONAL
 
Tem como principais nomes o alemão Friedrich Ratzel (1844-1904) e o francês Vidal de La Blache (1845-1918). A natureza é o mote do estudo.
FocoDescrever o território e conhecer características físicas, número de habitantes, língua oficial e capitais de estados e países.
Estratégias de ensino Aulas expositivas apoiadas no conhecimento enciclopédico, que dever ser decorado.

CRÍTICA
 
Surgiu no período pós-Guerra Fria propondo uma postura questionadora, com o homem como principal objeto de estudo. Os principais pensadores, como o francês Yves Lacoste, defendem uma mudança da realidade social.
Foco Formar militantes que lutem para transformar a estrutura social. Conhecer a natureza e as mudanças no espaço ocorridas em decorrência das relações de trabalho e da luta de classes.
Estratégias de ensino Debates e discussões sobre a realidade social mediados pelo professor. Saídas a campo, contato com a realidade e problematização de temas sociais.

CULTURAL

Fundada em 1890 pelo alemão Otto Schlüter (1872-1959). As relações e os significados que os homens atribuem ao espaço, à história e à cultura locais são elementos importantes para a compreensão da Geografia.
Foco Conhecer sentimentos, representações e idéias que um grupo tem do lugar com base nas experiências pessoais. A distribuição das manifestações culturais é objeto de estudo.
Estratégias de ensino Moradores locais e os alunos são fontes de informação. Ênfase em saídas a campo, debates e análises.

Fonte: Revista Nova Escola.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Linha do tempo do ensino de Geografia no Brasil

1837  O Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, é a primeira escola brasileira a incluir Geografia nas disciplinas obrigatórias. A intenção é criar uma elite nacional capaz de ocupar quadros políticos e administrativos.

1900  A área ganha espaço nas escolas de todo o país. Acredita-se que, conhecendo as características físicas do local, o sentimento de nacionalismo e patriotismo será despertado nos estudantes.

1905  O livro Compêndio de Geografia Elementar, de Manuel Said Ali Ida (1861-1953), propõe o estudo do Brasil por regiões, abrindo espaço para melhor conhecer o território nacional.

1934  O departamento e o curso superior de Geografia são criados na Universidade de São Paulo. A maioria dos professores era da escola francesa e defendia a abordagem tradicional.

1966  O livro Geografia do Subdesenvolvimento, de Yves Lacoste, é lançado no Brasil. Com a publicação, as teorias da Geografia crítica começam a ecoar em todo o país.

1971  Durante o período militar, Geografia e História são aglutinadas na disciplina Estudos Sociais. O governo acredita que o conhecimento dessas áreas é uma ameaça à hegemonia nacional.

1978  Milton Santos (1926-2001), considerado o maior geógrafo do Brasil, publica o livro Por Uma Geografia Nova, no qual preconiza a importância do estudo das questões sociais.

1990  Com a pesquisa que mostrou a deficiente formação dos estudantes americanos, se inicia um debate sobre o papel da disciplina no século 21 e os reais objetivos de aprendizagem.

1993  Inaugurado o Núcleo de Pesquisa Sobre Espaço e Cultura da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que divulga estudos e pesquisas realizados de acordo com essa abordagem.

1998  A publicação dos PCNs lista os objetivos da disciplina. Os alunos precisam compreender as relações entre a formação da sociedade e o funcionamento da natureza com base na paisagem.

FONTES: PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS (PCNS), O ENSINO DE GEOGRAFIA NO SÉCULO XXI, DE JOSÉ WILLIAN VESENTINI, E ROBERTO LOBATO CORRÊA

O que ensinar em Geografia?

O ensino de Geografia do 1º ao 5º ano deve se apoiar em saídas de campo, leitura de textos de todos os gêneros e na produção e interpretação de mapas.

O homem do século 21 revê o seu relacionamento com o meio ambiente e estuda as consequências de sua interação desmedida com a natureza. As fronteiras políticas se alteram por acordos ou guerras. A globalização aproxima, ao mesmo tempo que coloca em conflito diferentes povos. Com tudo isso, a maneira de ensinar a ciência que estuda a Terra e suas transformações também se modifica. A Geografia tem passado por amplas tentativas de renovação para conseguir formar estudantes capazes de compreender as relações entre a sociedade e a natureza. Nessas idas e vindas, foram criados caminhos e, às vezes, também equívocos. Hoje existem três perspectivas de ensino que, segundo os especialistas, devem ser trabalhadas de forma complementar para que o espaço - principal objeto de estudo da disciplina - seja bem compreendido: a perspectiva tradicional, a crítica e a cultural.

Quando o foco da Geografia estava nas descrições físicas dos lugares, os estudos se concentravam em identificar os componentes da paisagem (tipos de vegetação, relevo e clima), o número de habitantes e o nome de cidades e rios importantes que banham a região. Essa abordagem, chamada de tradicional, era "a ciência dos lugares e não dos homens", na definição do francês Vidal de La Blache (1845-1918). "Acreditava-se que, se os alunos conhecessem as características físicas do território, desenvolveriam uma consciência de nação", conta Francisco Capoano Scarlato, do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo.

Na década de 1960, alguns geógrafos, em especial os franceses, passaram a defender que o estudo deveria se posicionar criticamente frente à realidade e à ordem constituída - e o geógrafo ser um agente de transformação social. Assim, a disciplina se aproximou das ciências políticas. "Era a corrente crítica se opondo à tradicional. As principais características dessa concepção eram estudar o homem interagindo sobre o meio e conceber as relações sociais e de trabalho como decisivas na transformação do território", explica Marcos Bernardino de Carvalho, coordenador da pós-graduação em Geografia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Nela, cabe ao professor mostrar os problemas sociais e, ao mesmo tempo, despertar nos alunos a consciência sobre seu papel como cidadãos ativos na resolução dos problemas locais e gerais.

Uma das respostas a essa questão veio de pesquisadores que se debruçaram sobre o estudo da Geografia cultural - corrente criada na Alemanha no fim do século 19. Ela defende um relacionamento mais próximo com ciências como História, Antropologia, Sociologia, Filosofia e Psicologia, tendo foco na cultura e nas representações que o homem faz de si, dos outros e do espaço. "O valor que as pessoas atribuem à mata próxima da casa, ao shopping onde fazem compras ou às praças é levado em conta para retratar a realidade", explica Roberto Lobato Correa, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Muitos educadores acharam que a análise da relação do homem com seu meio aprofundaria o conhecimento sobre os territórios. A capacidade dos alunos de compreender o mundo e dar significado ao que se aprende na disciplina, aproximando o conhecimento escolar das próprias vidas, também seria facilitada. Afinal, no mundo globalizado são a cultura e as manifestações locais que garantem a noção de pertencimento a um lugar.


Uma das respostas a essa questão veio de pesquisadores que se debruçaram sobre o estudo da Geografia cultural - corrente criada na Alemanha no fim do século 19. Ela defende um relacionamento mais próximo com ciências como História, Antropologia, Sociologia, Filosofia e Psicologia, tendo foco na cultura e nas representações que o homem faz de si, dos outros e do espaço. "O valor que as pessoas atribuem à mata próxima da casa, ao shopping onde fazem compras ou às praças é levado em conta para retratar a realidade", explica Roberto Lobato Correa, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.


Muitos educadores acharam que a análise da relação do homem com seu meio aprofundaria o conhecimento sobre os territórios. A capacidade dos alunos de compreender o mundo e dar significado ao que se aprende na disciplina, aproximando o conhecimento escolar das próprias vidas, também seria facilitada. Afinal, no mundo globalizado são a cultura e as manifestações locais que garantem a noção de pertencimento a um lugar.

Fonte: Revista Nova Escola.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Ensino da Geografia para indivíduos com TDA

Estratégias no Ensino da Geografia para indivíduos com Transtorno do Déficit de Atenção.

A Geografia está presente em inúmeras situações do cotidiano de todos nós e seus conhecimentos são muito úteis na leitura de artigos, revistas, jornais, principalmente na compreensão de conflitos e processos sociais, ou seja, na participação e entendimento do mundo em que vivemos.
Pensando nessas questões, percebemos o quanto é importante uma criança ou um adolescente aprender esta disciplina e desenvolver habilidades e competências ligadas à área. Porém, alguns indivíduos apresentam dificuldades específicas em relação ao processo de aprendizagem, impactando também o aprendizado de conceitos de Geografia.
Sabe-se que o déficit de atenção, associado ou não à hiperatividade, na maioria dos casos, compromete o desempenho escolar, já que a atenção seletiva para estímulos relevantes é condição para aprendizagem. O Transtorno do Déficit de Atenção (TDA) é um distúrbio de base orgânica, e tem por principais características a dificuldade em manter o foco da atenção, o controle da impulsividade e de comportamentos e, em muitos casos, a hiperatividade.

Pensando na orientação, na localização e na representação, pode-se destacar o uso de mapas, do globo terrestre, de desenhos e a construção de maquetes para facilitar o reconhecimento da lateralidade e de outras habilidades
 

Acredita-se que os indivíduos apresentem essas características desde cedo, em um grau excessivo ou inadequado para a idade ou nível de desenvolvimento. Além dos sintomas básicos do transtorno, em mais de 50% dos casos existe comorbidade, com transtornos de aprendizagem, transtornos do humor e de ansiedade, transtornos disruptivos do comportamento e transtornos do abuso de substância e de álcool.
Muitas vezes, pais e professores descrevem a problemática como: “ele/ ela parece não ouvir”, “perde suas coisas”, “não se concentra”, “distrai-se facilmente”, “não consegue ficar na tarefa, não a termina”, entre outras características que são frequentemente vistas nas avaliações de casos do distúrbio.


Vale frisar que é essencial que o professor: 

•Deixe claro suas expectativas na realização das atividades escolares;
•Faça uso de reforços/apoios visuais e auditivos;
•Fique atento à organização do aluno;
•Dê instruções claras; curtas e objetivas;
•Monitore o tempo dado para realização de tarefas e avaliações.


Muitas vezes é necessário fazer adequações ligadas ao tamanho de textos e enunciados, pois a capacidade de manter uma sequência de informações em mente é prejudicada pelo distúrbio.
É importante destacar que os sintomas do jovem com TDA devem ser recorrentes em ambientes diversos, trazendo prejuízos ao mesmo.
Pessoas com este transtorno geralmente possuem a inteligência dentro da média ou superior, no entanto, apresentam dificuldades de funcionamento adaptativo nas situações cotidianas.
Além das estratégias gerais, existem estratégias que podem ser usadas pelo professor de geografia, para contribuir no processo de aprendizagem desses indivíduos. Pensando nos três aspectos principais do ensino da matéria: a orientação, a localização e a representação, pode-se destacar o uso de mapas, do globo terrestre, desenhos e a construção de maquetes, para facilitar o reconhecimento da lateralidade e dos aspectos envolvidos nas habilidades citadas. É sempre importante verificar se o aluno domina conceitos básicos para o entendimento de outros mais complexos; talvez seja necessário o apoio de pesquisas, definição de conceitos, destaque de palavras-chaves para auxiliá-lo na sua dificuldade nas habilidades das funções executivas como: organização das informações, priorização, e também na memória de trabalho. Define-se como memória de trabalho a capacidade de manter informações em mente, que serão usadas para orientar uma resposta subsequente.
Devido ao déficit na memória de trabalho, muitos indivíduos apresentam dificuldade da localização espacial, habilidade muito requerida no aprendizado dos conceitos geográficos, podendo os apoios citados contribuírem na realização de tarefas escolares, assim como para a localização do aluno no espaço e no tempo.
Deve-se ressaltar que é necessário que o educador acompanhe o aluno com TDA de perto, visando desenvolver potenciais do aluno, reforçando comportamentos e atitudes adequadas e positivas.

Devido ao déficit na memória de trabalho, muitos indivíduos apresentam dificuldade da localização espacial, habilidade muito requerida no aprendizado dos conceitos geográficos, podendo os apoios citados contribuírem na realização de tarefas escolares, assim como para a localização do aluno no espaço e no tempo.

Fonte: Revista Conhecimento Prático: Geografia
 
por Daniella Didio.
 Daniella Didio é psicóloga, Cursando Especialização em Psicopedagogia. Experiência com indivíduos com necessidades educacionais especiais tanto em escola quanto em atendimento clínico. Contato: danididio@gmail.com