Este blog é direcionado para os alunos da Escola Municipal Genildo Miranda no Sítio Lajedo em Mossoró-RN, para os alunos da Escola Estadual Rui Barbosa no município de Tibau-RN, para todos aqueles amantes da Educação Geográfica e também para os que se propõem a discussão de uma Educação contextualizada.

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terça-feira, 3 de maio de 2011

Ensino da Geografia para indivíduos com TDA

Estratégias no Ensino da Geografia para indivíduos com Transtorno do Déficit de Atenção.

A Geografia está presente em inúmeras situações do cotidiano de todos nós e seus conhecimentos são muito úteis na leitura de artigos, revistas, jornais, principalmente na compreensão de conflitos e processos sociais, ou seja, na participação e entendimento do mundo em que vivemos.
Pensando nessas questões, percebemos o quanto é importante uma criança ou um adolescente aprender esta disciplina e desenvolver habilidades e competências ligadas à área. Porém, alguns indivíduos apresentam dificuldades específicas em relação ao processo de aprendizagem, impactando também o aprendizado de conceitos de Geografia.
Sabe-se que o déficit de atenção, associado ou não à hiperatividade, na maioria dos casos, compromete o desempenho escolar, já que a atenção seletiva para estímulos relevantes é condição para aprendizagem. O Transtorno do Déficit de Atenção (TDA) é um distúrbio de base orgânica, e tem por principais características a dificuldade em manter o foco da atenção, o controle da impulsividade e de comportamentos e, em muitos casos, a hiperatividade.

Pensando na orientação, na localização e na representação, pode-se destacar o uso de mapas, do globo terrestre, de desenhos e a construção de maquetes para facilitar o reconhecimento da lateralidade e de outras habilidades
 

Acredita-se que os indivíduos apresentem essas características desde cedo, em um grau excessivo ou inadequado para a idade ou nível de desenvolvimento. Além dos sintomas básicos do transtorno, em mais de 50% dos casos existe comorbidade, com transtornos de aprendizagem, transtornos do humor e de ansiedade, transtornos disruptivos do comportamento e transtornos do abuso de substância e de álcool.
Muitas vezes, pais e professores descrevem a problemática como: “ele/ ela parece não ouvir”, “perde suas coisas”, “não se concentra”, “distrai-se facilmente”, “não consegue ficar na tarefa, não a termina”, entre outras características que são frequentemente vistas nas avaliações de casos do distúrbio.


Vale frisar que é essencial que o professor: 

•Deixe claro suas expectativas na realização das atividades escolares;
•Faça uso de reforços/apoios visuais e auditivos;
•Fique atento à organização do aluno;
•Dê instruções claras; curtas e objetivas;
•Monitore o tempo dado para realização de tarefas e avaliações.


Muitas vezes é necessário fazer adequações ligadas ao tamanho de textos e enunciados, pois a capacidade de manter uma sequência de informações em mente é prejudicada pelo distúrbio.
É importante destacar que os sintomas do jovem com TDA devem ser recorrentes em ambientes diversos, trazendo prejuízos ao mesmo.
Pessoas com este transtorno geralmente possuem a inteligência dentro da média ou superior, no entanto, apresentam dificuldades de funcionamento adaptativo nas situações cotidianas.
Além das estratégias gerais, existem estratégias que podem ser usadas pelo professor de geografia, para contribuir no processo de aprendizagem desses indivíduos. Pensando nos três aspectos principais do ensino da matéria: a orientação, a localização e a representação, pode-se destacar o uso de mapas, do globo terrestre, desenhos e a construção de maquetes, para facilitar o reconhecimento da lateralidade e dos aspectos envolvidos nas habilidades citadas. É sempre importante verificar se o aluno domina conceitos básicos para o entendimento de outros mais complexos; talvez seja necessário o apoio de pesquisas, definição de conceitos, destaque de palavras-chaves para auxiliá-lo na sua dificuldade nas habilidades das funções executivas como: organização das informações, priorização, e também na memória de trabalho. Define-se como memória de trabalho a capacidade de manter informações em mente, que serão usadas para orientar uma resposta subsequente.
Devido ao déficit na memória de trabalho, muitos indivíduos apresentam dificuldade da localização espacial, habilidade muito requerida no aprendizado dos conceitos geográficos, podendo os apoios citados contribuírem na realização de tarefas escolares, assim como para a localização do aluno no espaço e no tempo.
Deve-se ressaltar que é necessário que o educador acompanhe o aluno com TDA de perto, visando desenvolver potenciais do aluno, reforçando comportamentos e atitudes adequadas e positivas.

Devido ao déficit na memória de trabalho, muitos indivíduos apresentam dificuldade da localização espacial, habilidade muito requerida no aprendizado dos conceitos geográficos, podendo os apoios citados contribuírem na realização de tarefas escolares, assim como para a localização do aluno no espaço e no tempo.

Fonte: Revista Conhecimento Prático: Geografia
 
por Daniella Didio.
 Daniella Didio é psicóloga, Cursando Especialização em Psicopedagogia. Experiência com indivíduos com necessidades educacionais especiais tanto em escola quanto em atendimento clínico. Contato: danididio@gmail.com

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Piso nacional terá impacto de R$ 1,8 bilhões

Na última quarta-feira, o STF rejeitou ação de 5 estados, inclusive o Ceará, contestando lei que fixou o piso nacional

Brasília. Cálculos divulgados ontem pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostram que será de R$ 1,8 bilhão o impacto do piso salarial nacional dos professores da Educação Básica nas folhas de pagamento dos municípios.

Na última quarta-feira, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) impôs uma derrota a Estados e municípios ao concluir que o piso nacional é constitucional. Pela decisão, nenhum professor ganhará menos do que R$ 1.187,97. Essa deverá ser a base do salário. O valor poderá ser aumentado por meio do recebimento de acréscimos e benefícios.

Conforme a CNM, o custo poderá ser maior nas contas das prefeituras se o piso tiver como base valores do Fundeb, como recomenda a Advocacia Geral da União (AGU). Por esse cálculo, o piso deveria ser R$ 1.239,27, o que representa um gasto extra de R$ 2,3 bilhões.

O estudo ressalta que há o risco de o impacto se tornar maior. O Supremo ainda terá de decidir, provavelmente na próxima semana, se é válido ou não um dispositivo segundo o qual o professor deve passar dois terços da jornada dentro de sala de aula e o restante do tempo em atividades de planejamento e aperfeiçoamento profissional.

Segundo a CNM, para cobrir o tempo que os professores passarão fora de sala de aula, será necessário contratar 180,5 mil profissionais. "Se a regra do 1/3 de horas-atividades for aprovada, somada ao impacto do vencimento inicial, no Estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, o custo extra será de R$ 189 milhões. A Bahia será a mais prejudicada com R$ 754 milhões de acréscimo", afirmou o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.


Fonte: Texto publicado na coluna Nacional do Jornal Diário do Nordeste em 08/04/11.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Reforma pretende conter evasão

Entre as propostas, está a ampliação do tempo de estudo de quem faz o curso à noite e aulas não presenciais

Brasília. Além da orientação para que as escolas de Ensino Médio optem por uma área em que darão ênfase, as diretrizes que serão votadas hoje pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) abarcam mais propostas de flexibilização do currículo.

Todas têm o objetivo de atrair e reter o estudante, uma vez que o Ensino Médio é a etapa mais problemática da educação brasileira. No último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) eles receberam nota 3,6, numa escala de 0 a 10. Um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de 2009, mostrou que 40,1% dos jovens de 15 a 17 anos abandonam a escola por desinteresse.

No pacote de medidas está a ampliação do tempo de estudo para quem faz o curso à noite. Em vez dos três anos, os alunos poderão ficar de um semestre até um ano a mais na escola, cumprindo a mesma carga horária, mas de forma diluída. A ideia é facilitar o acesso desse contingente de estudantes que normalmente segue para a escola após o trabalho, chega atrasado e tem dificuldade em passar quatro horas concentrado nos professores. Para esses alunos existe, inclusive, a possibilidade de aulas não presenciais.

Antes de ser aprovada, as diretrizes ainda podem sofrer alterações. Após o aval do CNE, o documento ainda segue para homologação do ministro da Educação, Fernando Haddad.

Se a proposta for aprovada, cada escola terá autonomia para escolher quais disciplinas terão mais espaço em sua grade curricular.

Fonte: Matéria públicada na Coluna Nacional do Jornal Diário do Nordeste em 06/04/11.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Deserção no magistério

A crise na escola pública se amplia com a deserção de professores, como vem ocorrendo com os últimos mestres concursados pelo Estado, dos quais 20% já desistiram da profissão. As causas para tanto são as mais variadas, indo da baixa remuneração, à violência interna e externa ao ambiente escolar, a falta de equipamentos e materiais didáticos atualizados, de motivação por parte do alunado e o desencanto com o sistema de ensino e aprendizagem.

O recente homicídio perpetrado contra um jovem de 19 anos nas dependências do Colégio Polivalente Modelo de Fortaleza, no Conjunto Prefeito José Walter, mostra como avança o nível de violência na rede pública. A vítima não era aluno do estabelecimento da periferia da cidade. Sentiu-se perseguido por dois supostos traficantes de drogas e procurou refúgio dentro do colégio estadual, sendo abatido sem piedade, contra o qual foram disparados sete tiros de pistola.

Pela manifestação dos policiais deslocados para apurar a ocorrência, o crime tem características de acerto de contas por dívidas de droga, à semelhança de centenas de outras mortes com idêntica motivação. A forma de cobrança praticada no submundo das drogas é sumária, portanto, sem direito de defesa, e se expande num crescendo preocupante, exigindo seu enfrentamento pelo poder público.

Nestes tempos conturbados, a escola se transformou no ambiente por excelência para a projeção dos conflitos familiares, das patologias sociais e das resistências ao processo de aprendizagem. O primeiro embaraço diz respeito ao cumprimento das normas de convivência em grupo, sendo a noção de ordem muito pouco assimilada. Sem ordem não há disciplina. Sem disciplina a educação formal se revela nula.

Por isso, a apuração do rendimento escolar vem-se transformando em foco de divergência entre mestres e alunos, gerando descontentamentos, ameaças de agressões e represálias dos estudantes contra os professores. Especialmente no ensino médio, o conteúdo programático não corresponde nem às necessidades dos educandos, nem às exigências do mercado de trabalho para o qual eles convergem.

Além desses desencontros, há, igualmente, falha na gestão pública, registrando-se inúmeros episódios de escolas beneficiadas com computadores nunca instalados por falta de rede energética adequada, de instrutores habilitados e de inclusão dessa prática educativa na programação curricular. Os equipamentos estão sendo ultrapassados pela velocidade registrada no mercado da informática sem qualquer uso.

A ação direta de inconstitucionalidade promovida contra o piso salarial do magistério desencadeou, entre os professores, a desesperança pela valorização profissional preconizada pelo Fundeb. Até a nova sistemática de remuneração da categoria, intentada pelo Estado, produziu efeito contrário, aumentando o clima de desestímulo.

A desistência da carreira é apenas um indicativo desse universo de questões pontuais. O mais difícil tem sido fazer a mocidade optar pelos livros, elegendo o conhecimento como ferramenta para a ascensão social. O desafio é gigantesco.

Fonte: Texto publicado na coluna Opinião do Jornal Diário do Nordeste em 05/04/11.

domingo, 3 de abril de 2011

Educação responsável

Pedagogos e estudiosos do panorama educacional no Brasil consideram um desafio promissor as propostas do novo Plano Nacional de Educação (PNE) para o período 2011-2020 que se encontra em tramitação no Congresso Nacional. Os principais itens do novo planejamento enfocam a evolução da educação infantil, o aumento gradual dos investimentos no setor e, sobretudo, os tão reivindicados processos de qualificação e valorização da carreira de professor. O primeiro PNE, elaborado para o decênio 2001-2010, era falho na sua própria essência e, também, quanto à capacidade concreta de viabilização, principalmente ao determinar que 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do País deveriam ser destinados à educação, exigência que foi alvo de veto sumário do então presidente Fernando Henrique Cardoso, no exercício do seu segundo mandato e às voltas com uma séria crise na economia nacional.

Na realidade, o primeiro PNE era tido por analistas como bastante complicado e de difícil execução, com suas 295 metas, geralmente confusas e difíceis de serem aplicadas na prática. O novo Plano Nacional de Educação inclui apenas 20 metas, o que facilitará, de modo sensível, sua compreensão e a consequente viabilização das normas nele contidas, inclusive no tocante à atribuição de responsabilidade dentro do decorrer do processo.

Dentre os compromissos assumidos, estão a manutenção de 50% das crianças de 0 a 3 anos de idade em creches; o crescimento da média do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e o aumento dos investimentos no setor da educação, atualmente em torno de 5% do PIB. Um detalhe fundamental para o êxito do PNE programado para o próximo decênio reside nas suas metas voltadas para a melhoria na carreira e nos salários do profissional da educação. Pretende-se formar 50% de professores do setor básico com pós-graduação e assegurar planos de carreira condizentes com as aspirações dos integrantes do magistério. Após ser validado pelo Congresso, o PNE exigirá que todos os sistemas tenham dois anos para organizar planos de carreira apresentando salários compatíveis com o nível de escolaridade que lhes seja correspondente.

Há um consenso, já bastante estratificado, de que as evoluções pretendidas para a carreira de docente são essenciais para a conquista de um sensível salto de qualidade no nível da educação nacional. Somente através de um sólido respaldo de valorização profissional do mestre, no qual também se insere um contexto de condições ideais para o exercício do seu trabalho, o Brasil caminhará para superar incômodo problema.

Para alcançar esse estágio de importância em seu desenvolvimento, também muito se espera da futura Lei de Responsabilidade Educacional, também enviada ao Congresso, a qual terá a finalidade de obter, no campo do ensino público as mesmas respostas positivas conseguidas através da Lei de Responsabilidade Fiscal, que concorreu, de maneira indiscutível, para emprestar maior visibilidade e transparência à área da administração. São marcos que, certamente, contarão pontos positivos para o futuro do Brasil.

Texto publicado na Coluna Opinião do Jornal Diário do Nordeste em 03/04/11.